segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Os medos e nossa literatura infantil!

“Eu queria ter uma varinha de condão”. Atire a primeira pedra o pai ou mãe que nunca pensou isso quando vê seu filho apresentar medos, pode ser medo do escuro, medo de falar em público, medo de começar em uma escola nova, medo em conhecer pessoas ou medo de altura, quando ele aparece temos vontade de proteger de passar toda a energia, mas nem sempre isso é possível. Olha que hoje são bem maiores as informações sobre não incutir nas crianças aqueles controles antigos que usava como medo de doido, medo de idoso, medo do homem do saco. Mas esses medos também estão na gente e superá-los é um trabalho que chamo de formiga, constante e determinado. A criança ainda enfrenta o sentimento de insegurança diario de nossa sociedade, mesmo que não tenha tanto contato com noticiários e TV, as notícias de violência, riscos chegam aos ouvidos e falta de espaço em áreas na cidade grande, diminui a oportunidade de brincadeiras espontâneas que ajudam a enfrentar o medo, brincadeiras essas que tínhamos tanto na nossa infância. Fora os vários contos clássicos, recheados de pavor que chegam aos seus ouvidos. Essa semana chegou as minhas mãos um livro bem divertido e que dá uma ajuda pra falar do assunto que é Chapeuzinho Amarelo de Chico Buarque de Holanda que transforma entre rimas e versos o Lobo em um Bolo Bobo que vai ser comido pela menina. Fala bem de todos esses medos e do enfrentamento deles. A ilustração é de Ziraldo, medo  transformado em alegria, muito bacanaInicialmente a menina está assustada e amedrontada com tudo, nem mesmo quer mais brincar, cabeça baixa, mãos baixas, como nossa criança contemporânea. Quando ela vai resgatando seu poder interior, o lobo vai perdendo poder e sentido, a menina se fortalece e não enxerga mais esse lobo. Assim quebra a história de Chapeuzinho vermelho, aquela que não conseguia enfrentar os medos sozinhas, aquela totalmente dominada pelo lobo que chega a ser engolida, aquela que dependia de um heroi, um ser externo para se salvar.

O lobo ficou chateado.
Ele gritou: sou um LOBO!
Mas a Chapeuzinho, nada. 

E ele gritou: EU SOU UM LOBO!!!
E a Chapeuzinho deu risada.
E ele berrou: EU SOU UM LOBO!!!!!!!!!!
Chapeuzinho, já meio enjoada,
com vontade de brincar de outra coisa.
Ele então gritou bem forte aquele seu nome de LOBO
umas vinte e cinco vezes,
que era pro medo ir voltando e a menininha saber
com quem não estava falando:
LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO

Chapeuzinho Amarelo
Autor:
 Chico Buarque de Holanda
Ilustrador: Ziraldo
Assunto: Infanto-Juvenil — Literatura Infantil
Editora: José Olympio
Preço: De R$ 9.40 a 29.90

Desde que foi publicado em 1979 já teve treze edições, livro que marca a nossa literatura infantil.

"A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original."

Albert Einstein

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